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Equipe

EQUIPE TÉCNICA ENVOLVIDA NA AVALIAÇÃO DA BIODIVERSIDADE DAS FAZENDAS DA USINA SÃO FRANCISCO

Professor Dr. José Roberto Miranda

Formado em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo. Concluiu o Mestrado em 1983 e o Doutorado em 1986, em Ecologia Geral e Aplicada pela “Université des Sciences et Techniques de Montpellier” e pela “École Pratique des Hautes Études”, Paris Vième – Sorbonne, França. Possui mais de uma centena de trabalhos técnicos e científicos, vários capítulos de livros e livros publicados no Brasil e exterior.

Foi professor doutor no Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da USP, onde orientou várias dissertações de Mestrado em Ecologia e lecionou em cursos de Graduação em Ciências Biológicas e em cursos de Pós-Graduação em Ecologia e Ciências Ambientais da USP.

Trabalha a mais de 30 anos como pesquisador na EMBRAPA, onde desenvolve pesquisas na área de Agroecologia. Recebeu, ao longo de sua carreira, várias condecorações civis e militares, destacando-se as Medalhas “do Pacificador”, “Batalhão de Suez”, “Castelo Branco”, “Colaborador Emérito”, conferidas pelo Exército Brasileiro, a “Medalha da Ordem do Forte de São Joaquim” do Estado de Roraima e de “Honra ao Mérito” da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Participou em inúmeras matérias jornalísticas sobre ecologia e meio ambiente, dentre elas em diversas edições do Globo Repórter, Globo Ecologia, Repórter Eco. Publicou vários artigos de opinião na mídia escrita sobre meio ambiente, biodiversidade e gestão territorial.

jose-roberto.miranda@embrapa.br

www.cnpm.embrapa.br

Vagner Roberto Ariedi Junior – Biólogo, Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural

Dennys D. Beyer – MsC em Ciência Ambiental

Marcelo Guimarães – MsC em Ecologia

Sílvia Helena de Oliveira – Bióloga

Daniel Cavanna – Biólogo

Gisele Levi – Bióloga

André Ferreira – Biólogo

Maurício S. R. da Silva – Biólogo

Lígia M. Avelar – Bióloga

José Paulo Franzin - Técnico

Bibliografia

MÉTODOS DE AMOSTRAGEM DA FAUNA SILVESTRE

A detecção, registro e identificação da fauna silvestre envolve uma grande quantidade de técnicas e procedimentos práticos. Independentemente das técnicas utilizadas no campo, a detecção e o registro das espécies deu-se de maneira direta, tanto visual como auditiva, e/ou indiretamente pela presença de vestígios, como pegadas, fezes, penas, ninhos, tocas, pelos, pelotas de regurgitação etc. Os grupos faunísticos foram amostrados através de combinações de métodos científicos baseados em literatura especializada, amplamente utilizados e empregados em estudos de fauna silvestre. Os métodos utilizados no estudo, para cada grupo faunístico, são descritos a seguir.

A herpetofauna (anfíbios e répteis) foi amostrada utilizando os seguintes métodos combinados:

PROCURA VISUAL (CAMPBELL & CHRISTMAN, 1982; SCOTT et al., 1989; MARTINS & OLIVEIRA, 1998). Correspondeu ao censo diurno, crepuscular e noturno, conduzido dentro da área, deslocando-se lentamente a pé à procura de espécies em todos os ambientes (habitats) disponíveis à fauna silvestre, e visualmente acessíveis, como em ambientes brejosos ou com acúmulo de água, poças e poças temporárias, açudes, represas, represamentos, canais, valetas de drenagem, camada da serapilheira (folhiço), interior e folhagem de plantas, troncos, pedras e cavidades no solo. A procura visual foi realizada com o auxílio e uso de lanternas, ganchos e pinções herpetológicos. As espécies encontradas foram registradas, identificadas e fotografadas quando possível, sendo soltas a seguir.

PROCURA AUDITIVA (CORN, 1994; GERHARDT, 1994; HEYER et al., 1994; SCOTT, 1994; HADDAD et al., 2005). Correspondeu a procura realizada para encontrar e identificar anfíbios anuros através do registro de suas vocalizações emitidas, conduzida dentro da área, deslocando-se lentamente a pé em todos os ambientes (habitats) disponíveis à fauna silvestre, e visualmente acessíveis, como em ambientes brejosos ou com acúmulo de água, poças e poças temporárias, açudes, represas, represamentos, canais, valetas de drenagem, camada da serapilheira (folhiço), interior e folhagem de plantas, troncos, pedras e cavidades no solo.

A procura foi iniciada no período crepuscular, com o auxílio e uso de lanternas e minigravador digital para gravação das vocalizações e repetição das mesmas (playback), com intuito de atração das espécies e segura identificação, e encerrada no momento em que cessaram as vocalizações. As espécies ouvidas e encontradas foram registradas, identificadas e fotografadas quando possível, sendo soltas a seguir.

PROCURA COM VEÍCULO (SAWAYA, 2003; SAWAYA et al., 2008). Correspondeu a procura de espécies no período noturno, realizada ao término das atividades de Procura Visual e Auditiva. Foi conduzida dentro da área e entorno, deslocando-se com o uso de automóvel, em velocidade inferior a 40 km/h pelos carreadores, estradas principais e vias de acesso entre os ambientes (habitats) disponíveis à fauna silvestre. As espécies encontradas foram registradas, identificadas e fotografadas quando possível, sendo soltas a seguir.

ENCONTROS OCASIONAIS (DUELLMAN, 1988; DIXON & SOINI, 1986; HEYER et al., 1994; MARTINS, 1994). Correspondeu ao encontro e registro de espécies quando não em Procura Visual, Auditiva e com Veículo. As espécies encontradas foram registradas, identificadas e fotografadas quando possível, sendo soltas a seguir.

As ordens sistemáticas e nomes científicos seguiram como adotado pela Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH) e atualizados de acordo com: BRAZILIAN AMPHIBIANS – LIST OF SPECIES (SEGALLA et al., 2012) e BRAZILIAN REPTILES – LIST OF SPECIES (BÉRNILS & COSTA, 2011).

A avifauna foi amostrada utilizando os seguintes métodos combinados:

REGISTRO VISUAL E AUDITIVO (BUCKLAND et al., 2001). Corresponderam ao levantamento e registro das aves por meio de censo, durante caminhadas com velocidade constante por todos os ambientes (habitats) disponíveis à fauna silvestre, e visualmente acessíveis. As espécies foram identificadas por meio de observações com auxílio de binóculo (Nikon Monarch 10x42) e/ou pela identificação de suas vocalizações. Sempre que necessário, as aves tiveram suas vocalizações gravadas utilizando-se o gravador digital com microfone direcional.

EVIDÊNCIAS INDIRETAS, como a localização de ninhos e penas, também foram consideradas. Estes dados foram utilizados em conjunto e confirmados por consulta a material bibliográfico e fonográfico (e.g. RIDGELY & TUDOR, 1994; DE LA PEÑA & RUMBOLL, 1998; SICK, 1997, 2001; BUZZETTI & SILVA, 2005; SIGRIST, 2009). A ordem sistemática e nomes científicos seguiram como adotado pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos: Listas das aves do Brasil (CBRO, 2011).

A mastofauna foi amostrada utilizando os seguintes métodos combinados:

PROCURA VISUAL E BUSCA ATIVA (EMMONS & FEER 1990; BECKER & DALPONTE 1999; BORGES & TOMÁS, 2004). Corresponderam ao censo diurno, crepuscular e noturno, conduzido dentro da área, deslocando-se lentamente a pé à procura de espécies em todos os ambientes (habitats) disponíveis à fauna silvestre, e visualmente acessíveis, como em ambientes brejosos ou com acúmulo de água, margens de poças, açudes, represas, represamentos, canais, valetas de drenagem, camada da serapilheira (folhiço), árvores, pedras e cavidades no solo.

Foi utilizada para observações diretas (avistamentos) e busca ativa por vestígios (fezes, tocas, rastros e pegadas). Os indícios indiretos (vestígios) encontrados foram fotografados e identificados segundo bibliografia específica. As espécies encontradas foram registradas, identificadas e fotografadas quando possível, sendo soltas a seguir.

ARMADILHAS FOTOGRÁFICAS (AFS) “CAMERA TRAPS” (EMMONS & FEER 1990; BECKER & DALPONTE 1999; BORGES & TOMÁS, 2004; CULLEN JUNIOR et al., 2006). Foram utilizadas ao longo do estudo e de acordo com aquisições dos equipamentos, duas, quatro, seis e oito armadilhas fotográficas (modelo Tigrinus Digital-6.0D) e duas armadilhas fotográficas (modelo Bushnell ThrophyCam) com sensores de movimento e infravermelho. Foram utilizadas iscas atrativas (frutos e iscas preparadas) tanto para espécies carnívoras como para as frugívoras.

As armadilhas foram instaladas nas bordas e interiores dos ambientes (habitats), preferencialmente nos locais de possível passagem de acordo com o registro prévio e identificação de pontos de deslocamento e uso da fauna, como rastros, pegadas, vestígios e tocas. A ordem sistemática e nomes científicos seguiram (REIS et al., 2006) e atualizados segundo (REIS et al., 2010).

Os métodos combinados foram empregados nas áreas que cortam e circundam todos os dez ambientes (1. Canaviais orgânicos; 2. Matas exóticas; 3. Várzeas com herbáceas; 4. Várzeas com matas ciliares; 5. Matas nativas restauradas; 6. Matas mistas em regeneração; 7. Matas nativas; 8. Valetas de drenagem; 9. Matas em regeneração espontânea e 10. Campo em regeneração espontânea) disponíveis à fauna silvestre presentes nas áreas agrícolas da Usina São Francisco e entorno, ao longo do dia, nos períodos matinal, crepuscular e noturno.

Todos os métodos aplicados foram executados pelo período de 30 minutos em cada levantamento realizado e cada campanha de levantamentos teve a duração de três a cinco dias. O esforço amostral foi dimensionado para abranger e contemplar os 10 diferentes ambientes disponíveis à fauna, mas não necessariamente distribuídos igualmente por ambientes ou habitas faunísticos, mas sim em virtude prioritariamente daqueles ambientes nos quais obteve-se algum tipo de indício prévio de ocorrência de espécies, em especial de mamíferos silvestres ameaçados de extinção, como rastros, pegadas, fezes, carcaças, registro visual e/ou auditivo etc.

Uma vez observados e/ou capturados, os indivíduos foram registrados e identificados ao menor nível taxonômico possível (espécie), sendo soltos a seguir, fotografados e gravados (vocalizações) quando possível, para registro e necessária identificação posterior através de comparações a bancos de dados. Todo e qualquer tipo de registro, direto e/ou indireto foi assinalado como registro de espécie, independentemente do método pelo qual foi registrada e identificada.

A identificação das espécies foi realizada na grande maioria dos registros, no campo. A confirmação dos registros diretos e indiretos e identificação das espécies foi realizada em laboratório, através do uso de guias de campo ou chaves artificiais de identificação e classificação de espécies. Adicionalmente, foram realizadas consultas a acervos e coleções científicas de referência, centros especializados e instituições de pesquisa científica para solucionar quaisquer tipos de incertezas acerca da segura identificação das espécies.

Devido à variabilidade das condições ecológicas dinâmicas dos meios, durante as diferentes estações do ano, foram realizadas campanhas de levantamentos da fauna de vertebrados terrestres ao longo do ano (FERREIRA, 2001). O ciclo de variações sazonais, principalmente de umidade e temperatura, foi contemplado de maneira concomitante às possíveis flutuações de composição dos povoamentos, em termos de atividade biológica e de comportamento migratório de certas espécies (BILLAUD, 2002) em todos os estratos amostrados.

Todos os levantamentos para o inventariamento das espécies em campo foram realizados seguindo critérios e itinerários metodológicos definidos e utilizando formulário previamente preparado, em campanhas regulares entre julho de 2002 e dezembro de 2012, nos 10 ambientes (habitats) mapeados e disponíveis para a fauna silvestre nas áreas agrícolas da Usina São Francisco.

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Documentação
Paisagem - Árvore de fundo